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    Felicidade

    Mariana Teixeira, 8.ºano, turma F

     

     

    Noções de Felicidade

    Nos dicionários, é possível encontrar o nome “felicidade” relacionado com o “estado da pessoa feliz”. Em relação à palavra “feliz”, consta ser um adjetivo que “refere aquele que tem, revela ou causa felicidade”. A felicidade motiva muitos estudos e reflexões acerca do seu verdadeiro significado desde a Antiguidade. O tema é alvo de estudos da filosofia, da sociologia, da psicologia e da religião, entre diversas outras áreas de conhecimento. Contudo, a definição do termo não é simples, podendo ser considerada uma palavra subjetiva, cujo entendimento depende de cada pessoa. A felicidade é algo que muitos afirmam querer alcançar, mas quando se é questionado, nem sempre é fácil de definir. Cada pessoa pode ter um ponto de vista diferente, que é construído de acordo com a sua história de vida, cultura, crenças e valores. Uns podem sentir-se felizes, outros podem estar em busca da felicidade, e outros, ainda, não acreditar que a felicidade existe. Não se pode dizer que se trata de um sentimento ou do saciar de um desejo por um bem material, tampouco viver um grande amor, pois cada pessoa a concebe a seu modo. Há quem tenha uma perspetiva individualista, para outros a felicidade é algo partilhado, em sentido coletivo. Não é por termos um padrão alto de vida que podemos definir-nos como felizes; da mesma maneira, uma pessoa que tem dificuldade em aceder a bens materiais nem sempre se definirá como infeliz. Mas não há dúvida de que o acesso aos bens e serviços, assim como aos direitos, confere uma dignidade que se afigura decisiva para garantir meios de buscar a felicidade. O mundo é um lugar de conflitos, e saber ser feliz e conviver com as dificuldades que surgem é um aprendizado. Cada pessoa tem a sua visão acerca da felicidade, de acordo com a educação, o meio onde vive, as pessoas com as quais convive, e há aqueles que apenas desejam a felicidade, sem se preocupar com conceitos e/ou explicações. A forma como se pensa, sente e vive é mote para a conceção da felicidade, que também pode ser vista como alcançar do equilíbrio físico, mental, espiritual, no convívio e em respeito pela diversidade humana.

    A felicidade não é alvo de estudo apenas por parte de grandes filósofos, cientistas e pensadores. Na cultura, em geral, encontramos uma infinidade de manifestações artísticas e intelectuais que promovem e ampliam o conhecimento. A literatura, a dança, o teatro, a música, as artes plásticas e o cinema, entre outras manifestações, procuram, pois, expressar, construir e divulgar a felicidade. Destaca-se que, para muitas pessoas, o acesso aos recursos tecnológicos e/ou a exposição às redes sociais são fontes de felicidade. Porém, o seu mau uso pode gerar grande infelicidade.

     

    A Felicidade e os pensadores

    Desde a Antiguidade, filósofos, cientistas, líderes religiosos e pensadores debruçaram-se sobre o significado da felicidade. Foi um tema que mereceu a atenção de grandes personalidades, como Tales de Mileto, Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Séneca, S.to Agostinho, S. Tomas de Aquino, Descartes, Thomas Hobbes, John Locke, Immanuel Kant, Hegel, Kierkegaard, Nietzsche, Karl Marx, Freud, Sartre, Habermas, John Bentham e John Stuart Mill, Gandhi, Dalai Lama, entre muitos outros.

    Registe-se brevemente uma noção extraída do pensamento de dois ilustres filósofos: Aristóteles e Kant.

    Há um extenso número de produções teóricas sobre a felicidade. Aristóteles, nascido na Grécia no ano de 384 a.C., deixou importantes ensinamentos sobre o tema.  Segundo este filósofo, a felicidade não está no prazer, mas sim na virtude. Ele acredita que se deve estimular as virtudes para se ser feliz, e a virtude moral é obtida por meio do hábito. Para alcançar a felicidade, é necessário ter sabedoria para pensar o que é bom e útil para uma vida feliz, conhecer os meios para alcançar os desejos, planear o que fazer, assim como praticar o bem. A felicidade consiste em ser virtuoso e ser fiel ao que se deseja. Para Aristóteles, na Ética a Nicómaco, a felicidade recebe o sentido de “o melhor de tudo” (ARISTÓTELES, 2009: 31).

    Na ética aristotélica, para se alcançar a felicidade ideal, são necessários recursos capazes de garantir a oportunidade de pôr em prática as ações virtuosas. É preciso que a vida em sociedade permita ao homem alcançar a felicidade, o que se torna possível mediante a ética e a política, pois “O bem da comunidade é ainda mais importante do que os bens individuais” (COSTA, 2021: 147).

    O filósofo alemão Immanuel Kant, nascido em 1724, também se debruçou sobre o tema da felicidade. Kant possuía uma índole crítica, e não concordava com a hipótese de a felicidade estar diretamente relacionada com as virtudes. Defendia que ela não é um critério racional e moral, pois “infelizmente o conceito de felicidade é tão indeterminado que, se bem que todo o homem a deseje alcançar, ele nunca pode dizer ao certo e de acordo consigo mesmo o que é que propriamente deseja e quer” (Fundamentação da Metafísica dos Costumes, KANT, 2007: 54). O seu conceito de felicidade incluía o desejo e a vontade humana, “ou seja, o estado no qual se efetiva a total adequação entre aquilo que o ser humano quer que aconteça e aquilo que de facto acontece. Assim, a felicidade repousa inevitavelmente numa perfeita harmonia entre os fins que o homem se propõe realizar e o curso da natureza, já que, para a sua consecução, na natureza tudo deve ocorrer segundo o desejo de um tal ser” (GUTIERRES, 2006: 45). Para Kant, o ser humano tem carências e inclinações que quer satisfazer, e isso é uma necessidade natural, daí a felicidade ser um fim para todos os homens. A felicidade não é igual para todos.

     

    A Felicidade e os direitos humanos

    A Declaração Universal dos Direitos Humanos é uma salvaguarda de que todo o indivíduo tem liberdade de ir em busca do que acredita ser, para si, a felicidade. Nela não consta o termo “felicidade”, mas, sem os direitos por ela garantidos, deparam-se ao ser humano grandes barreiras no caminho para ser feliz. A importância da felicidade foi reconhecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas, que estabeleceu, através da Resolução n.º 65/309, de 19 de julho de 2011, a busca da felicidade como um “objetivo humano fundamental” e uma “aspiração universal”. Também foi assinalado, através da Resolução 66/28 de 28 de junho de 2012, o Dia Internacional da Felicidade, comemorado a 20 de março. A felicidade é essencial ao ser humano, por isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu incentivar a consciencialização dos seus países acerca da sua relevância, assim como a promoção de políticas para o desenvolvimento económico e sustentável, com medidas voltadas para a paz, a equidade, a inclusão, a justiça, a redução da pobreza e a minimização de outras causas de sofrimento para a população.

    No início da década de 70, o Reino do Butão estabeleceu como prioridade a felicidade como via de crescimento do país. Estipulou a FIB – Felicidade Interna Bruta como meio de estimar a felicidade do povo e como base de elaboração das políticas. Em 2011, a ONU aceitou a proposta do Governo do Butão para que a FIB também fosse utilizada como meio de calcular o desenvolvimento dos países.

    O Relatório Mundial da Felicidade (World Happiness Report) constitui uma medição da felicidade, tendo sido publicado pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. A sua primeira edição aconteceu em 2011, e os dados de mais de 150 países foram publicados em 2012. A pesquisa tem por base seis critérios: PIB (Produto Interno Bruto), esperança de vida saudável, generosidade, liberdade para escolher, perceção de corrupção e apoio social. Com a divulgação anual desses relatórios, os países conhecem o índice de felicidade dos seus habitantes, e podem promover políticas direcionadas para melhorar as condições de vida dos povos, ao garantir o direito a uma existência digna e com maior possibilidade de acesso à felicidade.

     

    Portugal e a Felicidade    

    Na Constituição da República Portuguesa não consta o termo “felicidade”. Mas, no artigo 9.º das Tarefas Fundamentais do Estado, consigna-se o seguinte: “Promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efetivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais” [cf. artigo 9.º, alínea d)]. Constata-se, então, que o Estado português se compromete em garantir condições de vida ao povo, de forma a que este possa ter meios para ser feliz.

    No Relatório Mundial da Felicidade de 2022, Portugal ocupou a 56.ª posição, entre os 146 países pesquisados. Na tabela abaixo, observa-se a classificação de Portugal nos últimos anos. Percebe-se que o índice de felicidade tem crescido, devido ao PIB per capita, aos apoios sociais e à liberdade garantida pela democracia.

     

    Portugal – Índice Mundial de Felicidade
    Data Ranking Mundial de Felicidade Índice Mundial de Felicidade
    2022 56.º 6,016
    2021 58.º 5,929
    2020 59.º 5,911
    2019 66.º 5,693
    2018 77.º 5,410
    2017 89.º 5,195
    2016 94.º 5,123

     

    Fonte: https://pt.countryeconomy.com/demografia/indice-mundial-felicidade/portugal

     

    Propostas de estratégia de ação pedagógica

    – Promover uma caminhada no dia 20 de março, Dia da Felicidade, nos passadiços do Paiva, em Arouca, com dinâmicas voltadas para a consciencialização ambiental e a felicidade;

    – Incentivar os alunos para a pesquisa de músicas, literatura, filmes, personalidades e factos históricos acerca da felicidade, fazendo apresentações com tempo de debate;

    – Realizar a dinâmica brainstorming (cada aluno deverá expressar uma palavra do que lhe vem à mente acerca da felicidade), posteriormente debatendo ideias sobre as palavras e sua avaliação;

    – Trabalhar numa folha A5, a explorar o tema “O meu olhar sobre a felicidade”, com a utilização de materiais diversificados. O resultado ficará em exposição no Agrupamento;

    – Planear uma visita a um lar de idosos e dinamizar uma tarde feliz, com conversas, jogos, música, encenações, etc.;

    – Visitar uma turma do ensino pré-escolar, e dinamizar uma manhã ou tarde feliz, com brincadeiras e atividades que despertem nos pequenos um entendimento sobre a felicidade;

    – Pesquisar sobre o tema “A felicidade perto de mim e a felicidade no mundo”.  Realizar um debate em sala de aula sobre como vivemos a felicidade hoje em dia;

    – Convidar pessoas da comunidade para mesas de conversa sobre o tema “felicidade”: um(a) bombeiro(a), um(a) enfermeiro(a), um(a) biólogo(a), um(a) religioso(a), e/ou outras pessoas da comunidade local que tenham algum relato importante sobre o tema da felicidade;

    – Propor ao Agrupamento um concurso de aviões de papel, de forma a consciencializar a comunidade sobre a importância da felicidade. O tema será: “A felicidade nas minhas mãos”.

     

    Considerações finais

    A “felicidade” é uma palavra de conceito complexo e amplo, no entanto, ela constitui um objetivo fundamental do ser humano. É dever dos governantes proporcionar meios para que as pessoas sejam felizes e depende de toda a sociedade lutar para que esse acesso seja igualitário e universal.

     

    Lara Barbosa, 6.º ano, turma E

     

    Maria Prado, 6.º ano, turma C

     

    Maria Rafaela Teixeira, 6.º ano, turma A

     

    Alice Ferreira, 5.º ano, turma E

    Bibliografia

    Impressa

    CAEIRO, A. (2009). Ética a Nicómaco. Lisboa: Quetzal Editores.

    COSTA, M. A. (2021). A Ideia de Felicidade na Cultura Europeia. Lisboa: Editora Documenta.

    KANT, I. (2007). Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Lisboa: Edições 70.

    GUTIERRES, M. de F. e S. (2006). A Felicidade na Ética de Kant. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.

     

    Digital

    Constituição da República Portuguesa – VII Revisão Constitucional [2005] https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx (acedido a 09.10.2023).

    “Felicidade”, https://dicionario.priberam.org/felicidade (acedido a 09.10.2023).

    “Feliz”, https://dicionario.priberam.org/feliz (acedido a 09.10.2023).

    “International Day of Happiness 20 March”, https://www.un.org/en/observances/happiness-day (acedido a 09.10.2023).

    “Portugal – Índice Mundial de Felicidade”, https://pt.countryeconomy.com/demografia/indice-mundial-felicidade/portugal (acedido a 09.10.2023).

    World Happiness Report, https://worldhappiness.report/ (acedido a 09.10.2023).

     

    Professor: Joaquim Ferreira

    Alunas: Alice Pinto Ferreira, Lara Filipa Lopes Barbosa, Maria Tavares Prado, Mariana Duarte Teixeira, Maria Rafaela Martins Teixeira

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