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    Garrett, Almeida

    João Baptista de Almeida Garrett nasceu na cidade do Porto, a 4 de fevereiro de 1799. Passou a infância e a adolescência na ilha Terceira, Açores, para onde acompanhou a família durante a segunda invasão napoleónica e onde iniciou os estudos. Apesar da vontade dos pais de que seguisse uma carreira eclesiástica, já nesta altura manifestava uma forte inclinação para a literatura e para a política. A influência tradicional e católica da educação recebida dos pais e do tio, Fr. Alexandre da Sagrada Família, bispo de Angra, não limitou a sua visão da sociedade e do mundo.

    Em 1816 regressou a Portugal continental, dando início aos estudos superiores, na Universidade de Coimbra, tendo ingressado no curso de Direito. Almeida Garrett desenvolvia já nesse tempo algumas aspirações políticas, em virtude do contacto próximo com as ideias liberais, envolvendo-se ativamente na Revolução Liberal do Porto, em 1820, e exigindo uma monarquia constitucional. Concluiu a licenciatura na cidade do Mondego e estabeleceu-se em Lisboa em 1821.

    Dois anos depois, e com o regresso do Absolutismo, acaba por abandonar o país. Exila-se em Inglaterra, onde contacta pela primeira vez com a literatura do Romantismo, e vive depois em França, onde é correspondente comercial. Neste período de ausência de Portugal, publica dois títulos de referência do Romantismo português, Camões (1825) e D. Branca (1826).

    Garrett regressou definitivamente a Portugal em 1836, no seguimento da vitória do Liberalismo sobre o Absolutismo, continuando a ter um forte papel político e cívico, não só contribuindo para a redação da Constituição de 1838, mas também fundando o Conservatório de Arte Dramática ou liderando o projeto de edificação do Teatro Nacional D. Maria II.

    Em 1845 é eleito deputado, e é ele que, em 1851, procede à redação das instruções ao projeto de lei eleitoral para a Comissão de Reforma da Academia das Ciências, tendo neste mesmo ano recebido o título de “visconde”. No ano seguinte, eleito novamente deputado, faz ainda parte do Governo, embora por um curto período de tempo, ocupando o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros.

    Almeida Garrett faleceu com 55 anos, a 9 de dezembro de 1854, em Lisboa. Em 1903, os seus restos mortais foram depositados no Mosteiro dos Jerónimos e, mais tarde, em 1966, trasladados para o Panteão Naconal.

    Tendo vivido na primeira metade do século xix, Garrett atinge a maioridade exatamente na época em que o Liberalismo se instala em Portugal. Adere a este movimento revolucionário de forma entusiástica, nunca renegando, porém, a educação tradicional recebida em criança, quer dos pais quer do seu tio, bispo da Igreja Católica, que foi defensor da abolição da escravatura e um forte crítico de uma aristocracia apática que, na sua opinião, impedia o desenvolvimento do país.

    Fruto de uma educação tradicional e do desenvolvimento pessoal de uma visão liberal, Garrett afirmou-se como figura incontornável na defesa da liberdade e dos direitos do Homem. Exemplo disso mesmo é o facto de, em 1839, ter submetido à Câmara dos Deputados o primeiro projeto de lei, em Portugal, sobre propriedade intelectual, antecipando desta maneira o que viria a ser o artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que visa questões como o reconhecimento do direito de autor e o direito à liberdade de opinião e expressão.

    Numa vida dedicada à causa liberal, Almeida Garrett defendeu com insistência a condição humana refletida nos ideais revolucionários da liberdade. No papel de orador, poeta, prosador, dramaturgo, romancista, ensaísta ou jornalista, assumiu uma atitude de crença no respeito pela natureza humana, em particular, nos momentos em que a liberdade se viu ameaçada pelo Absolutismo miguelista. Garrett empregou um discurso combativo e coerente com os ideais democráticos que defendia e pôs diversas vezes em prática uma poesia de intervenção. Colocou, portanto, a sua pena ao serviço dos seus princípios.

     

    Proposta de estratégia de ação pedagógica

    “Lembrar Almeida Garrett” – Semana literária

    – Pesquisar a vida e a obra de Garrett e organizar, num espaço central da escola, uma exposição sobre o autor

    – Selecionar excertos da sua obra e, ao longo da semana, ir às diferentes salas de aula de cada turma fazer a sua leitura

    – Organizar um concurso literário sobre o tema “Lembrar Garrett”, com apresentação dos textos vencedores à comunidade escolar

    – Em articulação com a disciplina de Educação Visual, organizar um concurso de desenho subordinado ao tema “Lembrar Almeida Garrett” e realizar um mural no espaço escolar com o desenho vencedor

    Bibliografia

    Impressa

    GARRETT, A. (2018). Camões. Coord. C. Reis, introd. e nota biobibliográfica de H. Buescu. Lisboa: INCM.

     

    Digital

    “A educação de Almeida Garrett”, https://ensina.rtp.pt/artigo/a-educacao-de-almeida-garrett/ (acedido a 12.01.2024).

    “Almeida Garrett – Biografia”, https://www.portoeditora.pt/autor/almeida-garrett/13569 (acedido a 12.01.2024).

    “Ética dos direitos de autor: Um debate que já vem de Garrett e Herculano”, https://www.dinheirovivo.pt/opiniao/etica-dos-direitos-de-autor-um-debate-que-ja-vem-de-garret-e-herculano-12805144.html (acedido a 31.03.2023).

    NOBRE, R. (2015). “Proteger a Liberdade, defender a Revolução: A poesia de intervenção de Almeida Garrett”. In II Jornadas da Sociedade Portuguesa de Retórica: Retórica e Poética, 24 e 25 de novembro, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/29155/1/Nobre%202015.%20Proteger%20a%20Liberdade%2C%20defender%20a%20Revolu%C3%A7%C3%A3o.pdf (acedido a 12.01.2024).

     

    Autores

    Agrupamento de Escolas de Santo António – Barreiro (ano letivo 2022-2023)

    Professor: José Dias

    Alunos/as: Adriana Isabel Valente Gonçalves, Miriam Sofia Antunes Ferreira, Tiago do Nascimento Marques

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