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    Ghandi, Mahatma

    Mohandas Karamchandh Gandhi, conhecido como Mahatma Ghandi, foi um notável líder pacifista indiano. “Mahatma” é uma adaptação da palavra sânscrita mahātman, que significa “grande alma”. Na Índia, pode indicar qualquer pessoa notável, em sinal de respeito. Porém, com inicial maiúscula, precede normalmente o nome de Gandhi, por ser a grande personalidade que lutou contra o colonialismo inglês e conduziu a Índia à independência, em 1947. Gandhi pôs em prática o seu projeto de “não-violência” e “busca da verdade”, em sânscrito, ahimsa e satyagraha, respetivamente.

     

    Alguns dados biográficos

    Gandhi nasceu em Porbandar, na Índia, a 2 de outubro de 1869, numa família que pertencia à casta dos comerciantes, e foi criado nas religiões hindu-vaishnava e jainista, que têm ambas como preceito a não-violência. Assim que completou 13 anos, teve um casamento arranjado, de acordo com as tradições familiares. Nessa época, a Índia estava sob o domínio britânico. O seu pai desempenhava funções de magistrado e, com o objetivo de seguir idêntica carreira, Gandhi foi para Londres cursar Direito no University College London, permanecendo aí de 1888 a 1891.

    No período em que residiu em Inglaterra, aprofundou os seus conhecimentos religiosos, sobretudo sobre o hinduísmo, lendo os seus textos sagrados. Também assumiu publicamente a defesa do vegetarianismo (uma tradição inerente ao hinduísmo praticado pela sua família), acabando por organizar um clube vegetariano no campus universitário.

    Mais tarde, em 1891, retornou à Índia para exercer a profissão de advogado, tarefa que se revelou difícil devido à sua timidez. Contudo, em 1893, assinou um contrato com duração de um ano com uma empresa indiana em Natal, província da África do Sul. Foi aí que tomou consciência de como os preconceitos raciais cerceavam a liberdade e corrompiam a Justiça. Começou então a sua atividade política em defesa da minoria indiana naquele país. Acabaria por ficar na África do Sul muito mais tempo do que previra, só regressando definitivamente à Índia em 1914, já com 45 anos. No regresso ao país natal, Gandhi era já um homem seguro das suas opiniões, dos seus valores e objetivos.

    Depois de uma intensa ação em favor da independência indiana e da pacificação das relações entre castas sociais e entre hindus e muçulmanos, a 30 de janeiro de 1948, menos de duas semanas depois de terminar uma última greve de fome, foi assassinado por um extremista hindu. Esta morte violenta contribuiu ainda mais para definir a figura de Gandhi como “pai da nação”, e não há nenhuma cidade ou povoamento na Índia que não tenha um monumento em sua homenagem.

     

    Origem do ativismo de Gandhi     

    A África do Sul, mais precisamente Natal, então colónia britânica, era casa de milhões de indianos, que trabalhavam para a riqueza da colónia. Foram as situações de preconceito que sentiu que levaram Gandhi a transformar-se num grande ativista em defesa dos indianos.

    Ao chegar, em 1893, iniciou uma política de resistência passiva contra os maus-tratos sofridos pelo seu povo. Já em 1894, começou a editar e a publicar conteúdos no jornal Opinião Indiana. Neste mesmo ano, foi retirado aos indianos o direito ao voto, o que levou Gandhi a organizar a Resistência Indiana, que lutou contra a legislação anti-indiana nos tribunais. Passou também a liderar enormes protestos contra o governo colonial e fundou uma secção do Partido do Congresso Indiano. Foi ao longo deste processo que desenvolveu a sua filosofia, Satyagraha, que passava pela luta pelos direitos sem recurso à violência, tendo como base a desobediência civil pacífica e o uso da palavra.

    Em 1915, Gandhi levou a filosofia Satyagraha para a Índia e foi rapidamente eleito para o partido político do Congresso Nacional Indiano. Em 1908, publicou Autonomia Indiana, livro em que coloca em discussão os valores da civilização ocidental. Começou então a fazer pressão para que o seu país conseguisse tornar-se independente do Reino Unido, organizando a resistência que se opôs a uma lei que conferia carta branca às autoridades britânicas para prenderem todos os suspeitos revolucionários sem julgamento. A Grã-Bretanha respondeu brutalmente à resistência, matando até mil manifestantes desarmados no Massacre de Jallianwala Bagh, em 13 de abril de 1919.

     

    Greve de Fome e Marcha do Sal

    Em 1922, uma greve contra o aumento de impostos reúne uma multidão que incendeia um posto policial, e Gandhi é detido, julgado e condenado a seis anos de prisão. Libertado em 1924, abandonou por alguns anos a atividade política. Mas continuava a incentivar os boicotes, greve gerais, manifestações e atos pacifistas contra os britânicos, cujo domínio foi enfraquecendo. Quando em 1930 estes proibiram indianos, muçulmanos e hindus de produzir o seu próprio sal, Gandhi organizou uma marcha de protesto de aproximadamente 390 km até à costa oeste do Estado do Gujarat, onde ele e os seus acólitos colhiam sal, nas margens do Mar Arábico.

    Em 1932, numa cela da prisão de Yerovda, nos arredores de Bombaim, Gandhi decidiu iniciar a sua mais frutífera greve de fome, em forma de protesto contra a decisão do governo britânico de dividir o sistema eleitoral indiano em castas. O seu jejum seria “até à morte”, prometeu Gandhi, acrescentando que a greve era “uma dádiva de Deus”, pois Ele via na sua vida “um sacrifício final para os oprimidos”. Os seus seis dias de greve de fome só terminaram depois de o governo britânico ter aceitado os termos de um acordo entre os indianos da casta superior e os denominados “intocáveis”, que reverteria a decisão de separação.

    A 12 de janeiro de 1948, pouco antes de morrer, Gandhi realizou a sua derradeira greve de fome. Queria persuadir hindus e muçulmanos a pacificar as suas relações.

     

    Independência da Índia

    Quando terminou a Primeira Guerra Mundial, a burguesia indiana formou o Partido do Congresso Nacional Indiano, que teve como líderes Mahatma Gandhi e Jawaharlal Nahru. O seu programa pregava a independência total da Índia, almejava à criação de uma confederação democrática, à igualdade política para todas as raças, religiões e classes, e pretendia reformas socioeconómicas e administrativas, bem como a modernização do Estado.

    No início da Segunda Guerra Mundial, Gandhi voltou a lutar pela retirada imediata dos britânicos do seu país. Em 1934, afastou-se do partido, mas nessa altura as suas linhas de ação já tinham deixado uma marca indelével na consciência nacional indiana. Em 1942, foi de novo preso e, finalmente, em 1947, os ingleses reconheceram a independência da Índia, apesar de manterem os seus interesses económicos.

    A independência da Índia foi, no entanto, obtida em moldes inesperados: o território do país seria dividido, surgindo o Paquistão como Estado muçulmano separado.

     

    Não-violência e defesa dos Direitos Humanos

    Gandhi foi sem dúvida um inspirador dos movimentos de resistência pacifistas na sociedade contemporânea. De acordo com a sua visão religiosa, a libertação da alma humana só pode ser alcançada através de rigorosa meditação, de uma disciplina diária e de orações. Em sintonia, a sua atividade política ligava-se ao seu pensamento filosófico da não-violência, que considerava ser o único caminho para alcançar a igualdade. Esse pensamento assume universalismo e ultrapassa em muito a esfera do nacionalismo indiano. A sua resistência pelos direitos do povo indiano deixou uma marca a nível mundial.

    Nelson Mandela (1918-2013), uma outra figura proeminente na defesa dos direitos civis na África do Sul, referiu-se a Gandhi como seu modelo e inspiração para conduzir este país ao regime democrático que pôs termo ao apartheid. Mandela e Gandhi partilhavam a convicção de que todos os povos reprimidos, independentemente da sua religião, etnicidade ou casta devem permanecer unidos contra os seus opressores.

    Gandhi proferiu as seguintes palavras, expressivas do seu pensamento acerca da tolerância: “A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos” (Young India Journal, 1926, 308).

    Bibliografia

    Impressa

    GANDHI, M. (1926, 23 de setembro). Young India Journal, 8 (38), 308.

    NOJEIM, M. J. (2009). Gandhi – O Poder da Resistência Não-Violenta. Lisboa: Nova Vega.

    ARRAYÁS, A. & VEGARA, M. I. S. (2019). Mahatma Gandhi. Lisboa: Nuvem de Letras.

     

    Digital

    “Defensores dos Direitos Humanos. Mahatma Gandhi (1869-1948)”, https://www.unidosparaosdireitoshumanos.com.pt/voices-for-human-rights/mahatma-gandhi.html (acedido a 08.02.2024).

    FRAZÃO, D. (s.d.).  “Mahatma Ghandi. Líder pacifista indiano”, https://www.ebiografia.com/mahatma_ghandi (acedido a 08.02.2024).

    “Gandhi”, https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$gandhi (acedido a 08.02.2024).

    “Mahatma”, https://www.merriam-webster.com/dictionary/mahatma (acedido a 08.02.2024).

    OLIVEIRA, C. (2010). “Mahatma Gandhi”, https://www.infoescola.com/biografias/mahatma-gandhi (acedido a 08.02.2024).

    PALMA, T. (2015, 27 de outubro). “A fome é uma arma política. Seis histórias de grevistas e as causas deles”. Observador, https://observador.pt/2015/10/27/a-fome-e-uma-arma-politica-seis-historias-de-grevistas-e-as-causas-deles (acedido a 08.02.2024).

    SETH, A. M. (2020, 23 de julho). “Nelson Mandela’s Umbilical Bond with Mahatma Gandhi”. Diplomatist, https://diplomatist.com/2020/07/23/nelson-mandelas-umbilical-bond-with-mahatma-gandhi (acedido a 08.02.2024).

     

    Autores

    Agrupamento de Escolas de Santo António – Barreiro (ano letivo 2022-2023)

    Alunas/os: Afonso Duarte Ruivinho, Beatriz Rodrigues, Leonor Marques

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