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    Mandela, Nelson

    Nelson Mandela, conhecido também como Madiba, foi o mais importante líder político da história da África do Sul, tendo-se distinguido no combate ao regime racista e segregacionista do apartheid, que vigorou neste país entre 1948 e o início dos anos de 1990.

    Por ter trabalhado de modo pacífico pelo fim do apartheid e ter lançado as bases do regime democrático na África do Sul, Nelson Mandela tornou-se uma referência na luta contra o racismo e a defesa de uma sociedade igualitária, sendo-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz em 1993. A par de Martin Luther King Jr. (1929-1968), também laureado com esta distinção, é a grande figura mundial da luta pelos direitos civis dos negros.

     

    Alguns dados biográficos

    Rolihlahla Mandela nasceu a 18 de julho de 1918 na aldeia de Mvezo, em Cabo Oriental, África do Sul, oriundo do clã Madiba. O seu pai, Nkosi Mphakanyiswa Gadla Mandela, era conselheiro principal do rei em exercício do povo Thembu, Jongintaba Dalindyebo. Em 1930, quando tinha 12 anos de idade, o pai falece e o jovem Rolihlahla fica sob a alçada de Jongintaba, no “Great Place”, em Mqhekezweni.

    Mandela frequentou a escola primária em Qunu, tendo-lhe sido atribuído o nome cristão de Nelson pela professora, de acordo com o costume seguido. A educação oficial não o distanciou das tradições do seu clã. Tendo ouvido desde cedo falar da coragem dos seus antepassados durante as guerras de resistência, Madiba sonhava dar o seu próprio contributo pela liberdade do seu povo.

    Por volta de 1940, depois de ter abandonado a Universidade de Fort Hare devido à participação num protesto de estudantes, e após um período no qual trabalhou em Joanesburgo como oficial de segurança de minas, terminou o bacharelato em Letras pela Universidade da África do Sul. Um diploma de dois anos em Advocacia permitiu-lhe então exercer esta carreira e, em agosto de 1952, juntamente com Oliver Tambo, estabeleceu a primeira firma de advogados sul-africana, Mandela & Tambo.

    Nelson Mandela casou por três vezes, tendo tido, ao todo, das suas duas primeiras mulheres, dois filhos e quatro filhas. Em 1998, no dia em que fez 80 anos, volvidos vinte e sete longos anos de vida no cárcere e tendo sido há pouco tempo eleito presidente da África do Sul, casou pela terceira vez.

    Após uma vida de resistência e luta pela igualdade de direitos entre brancos e negros, marcada pela perseverança e por uma crença firme na paz, na amabilidade e na capacidade de diálogo entre os homens para alcançar uma sociedade mais justa, Nelson Mandela morre em Joanesburgo, a 5 de dezembro de 2013, com 95 anos de idade.

     

    Luta contra o apartheid

    Mandela envolveu-se na política ainda jovem, na década de 40 do século XX, tendo-se juntado ao Congresso Nacional Africano (CNA), partido que lutava pelos direitos dos negros e contra a política segregacionista do apartheid.  À medida que subiu na hierarquia do CNA, fez esforços no sentido de que este adotasse uma política de massas mais radical, o que se concretizou no “Programa de Ação”, em 1949. Em 1952, foi escolhido como voluntário-chefe da Campanha de Desobediência, um movimento de desobediência civil contra seis leis injustas, que resulta da interação do CNA com o Congresso Indiano Sul-Africano. Ainda em 1952, juntamente com 19 outros participantes nesse movimento, foi acusado e condenado a nove meses de trabalhos forçados, ao abrigo da Lei de Supressão do Comunismo. No final desse ano, foi pela primeira vez proibido de entrar no país.

    Mandela começou por defender a desobediência civil contra o regime do apartheid com o objetivo de lesar as leis que separavam negros e brancos nos espaços públicos. Posteriormente, com o crescimento da repressão sobre negros, e na sequência do massacre de Sharpeville (21 de março de 1960), em que 69 pessoas foram mortas por se manifestarem contra a obrigatoriedade de ter cartão de identidade (instituída pela Lei do Passe, de 1945), formou com os seus companheiros de partido um grupo armado, a “Lança de uma Nação”. A persistência nesta luta haveria de lhe custar a pena de prisão perpétua.

    Prisão e liberdade

    Mandela foi detido numa operação policial coordenada a nível nacional que conduziu ao julgamento por traição de 1956. Este só terminou quando os últimos 28 acusados, incluindo Mandela, foram absolvidos, em 29 de março de 1961. Contudo, o seu permanente envolvimento na luta contra a dominação racial levou a que fosse condenado à prisão perpétua, pouco depois, em 1964. No dia em que foi preso proferiu as seguintes palavras: “Combati a dominação branca e combati a dominação negra. E este é um ideal pelo qual vivo e pelo qual estou preparado para morrer” (in “8 lições que todos devem aprender com Nelson Mandela”).

    Em 1994, quatro anos após a sua libertação, foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul, na primeira eleição democrática no país. Fiel à sua promessa de cumprir apenas um ciclo de governação, no final do primeiro mandato optou por não concorrer a uma segunda eleição.

    Continuou a trabalhar com o The Nelson Mandela Children’s Fund (1995), organização focada na segurança e na saúde das crianças, no empoderamento dos jovens e na resiliência económica, tendo em vista uma mudança da forma como a sociedade trata as crianças e os jovens, e criou também a Nelson Mandela Foundation (1999), organização sem fins lucrativos que tem como missão encontrar soluções sustentáveis para os problemas que a humanidade enfrenta, dando seguimento ao legado de promoção da igualdade entre todos de Madiba.

    Nelson Mandela nunca vacilou na sua devoção à democracia, à liberdade e à igualdade. Apesar de todas as adversidades que se lhe depararam, nunca respondeu ao racismo com racismo e tornou-se uma inspiração para muitas pessoas que se identificam com as causas dos direitos humanos.

     

    Dia Internacional de Nelson Mandela (ou Dia de Mandela)

    Esta é uma data internacional anual que homenageia Nelson Mandela, comemorada a 18 de julho, dia do seu aniversário. Foi oficialmente declarada pela ONU em 2009.

    Nelson Mandela seguiu três princípios ao longo da vida: Liberta-te. Liberta os demais. Serve todos os dias. A mensagem subjacente à campanha do Dia Internacional de Nelson Mandela consiste, por conseguinte, numa afirmação de que cada indivíduo tem capacidade e responsabilidade para criar impacto através do serviço público. A visão de Nelson Mandela inspirou assim um movimento global que tem como palavras de ordem: atua, inspira os outros a mudar e faz de cada dia um dia de Mandela.

    Bibliografia

    Impressa

    VEGARA, M. I. S. (2023). Nelson Mandela. Ilustração A. Hawkins. Lisboa: Nuvem de Letras

     

    Digital

    “8 lições que todos devem aprender com Nelson Mandela”, https://www.montepio.org/ei/economia-social/boas-praticas/8-licoes-que-todos-devem-aprender-com-nelson-mandela (acedido a 26.01.2024).

    “Biography of Nelson Mandela”, https://www.nelsonmandela.org/content/page/biography (26.01.2024).

    MELO, A. de (2022, 22 de julho). “Quem foi Nelson Mandela”. Cult, https://revistacult.uol.com.br/home/quem-foi-nelson-mandela (acedido a 26.01.2024).

    “Nelson Mandela em 18 frases marcantes”, https://atlanticoonline.com/nelson-mandela-em-18-frases-marcantes (acedido a 26.01.2024).

    Nelson Mandela Foundation, https://www.nelsonmandela.org/content/page/about-the-centre-of-memory (acedido a 26.01.2024).

     

    Autores

    Escola Básica com Pré-escolar Dr. Eduardo Brazão de Castro – Lombo Segundo, Funchal (ano letivo 2022-2023).

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