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    Vieira, António

    Nasceu em Lisboa, no dia 6 de fevereiro de 1608, aquele que é considerado um dos maiores oradores portugueses e uma das mais notáveis figuras da cultura portuguesa do século XVII, Padre António Vieira. Aos 6 anos de idade partiu com a família para o Brasil, Baía, onde o seu pai ocupou o cargo de escrivão. Em 1623 ingressou na Companhia de Jesus. Em 1626, ainda muito novo, foi encarregado de ensinar Retórica e de redigir o trabalho da Companhia de Jesus em Lisboa. Desde muito cedo o seu dom da palavra chamou à atenção, tendo-se estreado como orador com o discurso “Maria, Rosa Mística” em 1633. No ano seguinte foi ordenado sacerdote jesuíta. Assim que recebeu a ordenação, insurgiu-se contra a ganância e a corrupção existentes em grande escala na Baía. Foi até ao fim perseverante nessa luta, em sintonia com a sua formação cristã e humanista.

    Em 1640, os seus dotes oratórios deram que falar quando, perante a ameaça de um ataque holandês, pregou o “Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda”, em São Salvador da Baía. Trata-se de um sermão irreverente contra os holandeses, em que Vieira aponta a ganância, a injustiça e a corrupção.

    De volta a Portugal, em 1641, restaurada a independência após o domínio filipino, é escolhido para fazer parte do grupo que vem do Brasil para prestar apoio a D. João IV, tornando-se um dos homens da confiança do rei e um dos mais requisitados oradores da época. Nomeado pregador da corte, proferiu discursos em diversas cidades do país e teve importantes missões diplomáticas na Europa, entre 1646 e 1652. Os seus sermões eram considerados verdadeiras obras da arte da eloquência, e as suas sátiras e críticas eram corajosas e perturbadoras. Destacou-se pela publicação de vários dos seus escritos, como as Cartas, os Sermões e História do Futuro. Vieira denunciou a exploração dos povos indígenas pelos colonizadores, bem como a escravização dos africanos. Nos seus sermões também falava sobre a necessidade de proteger os direitos dos pobres e marginalizados, afirmando que todos os seres humanos têm direito à vida, à educação e ao trabalho digno, e que estes direitos devem ser protegidos pela sociedade e pelo Estado.

    Em 1652, embarca de novo rumo ao Brasil como missionário jesuíta. Dedica-se então à defesa dos direitos dos índios brasileiros e dos afrodescendentes. Luta, defendendo-os junto do rei, contra a escravização dos índios e a favor da libertação de escravos negros. Esta luta em prol da causa dos índios tornou-o conhecido como “Payassu”, ou seja, “Pai Grande”, devido à grande admiração e respeito que a população nativa americana lhe tinha. As denúncias constantes que faz resultam na fúria dos senhores, mas também contribuem para dar à luz um decreto-lei que impede a “escravidão feroz”. Porém, como nos é dito pelo historiador José Pedro Paiva, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o Padre António Vieira, ao contrário do que se diz e pensa, não chegou a propor a abolição da escravatura, até porque no seu tempo, no século XVII, esta constituía um mal necessário à produção de riqueza na Europa (in “Padre António Vieira: Uma lição de liberdade”).

    Ainda antes de novo regresso a Portugal, em 1654, com o intuito de solicitar medidas favoráveis aos índios e às missões jesuítas no Estado do Maranhão, Vieira prega o “Sermão de Santo António (aos Peixes)”, que viria a ser um dos seus textos mais emblemáticos, pela particular escolha de “discursar aos peixes” e por repreender de forma inteligente os comportamentos humanos.

    Após breve estadia em Portugal, regressando ao Maranhão, continua as suas pregações em defesa dos direitos dos povos indígenas, dos escravos e dos pobres. Como consequência da sua ação, os Jesuítas são expulsos pelos colonos do Maranhão e Vieira vê-se obrigado a regressar a Lisboa. No entanto, a sua defesa dos cristãos-novos, numa época marcada pela Inquisição e pela perseguição aos judeus, fá-lo sobressair como um dos maiores inimigos da Igreja. Assim, foi perseguido pelo Tribunal do Santo Ofício, a pretexto da defesa do Quinto Império e do anúncio da ressurreição de D. João IV. Acusado de heresia, por ter ideias consideradas radicais, foi preso, em Lisboa, sendo absolvido em 1667. Em 1669, tendo-lhe sido finalmente perdoado o crime de heresia, viajou para Roma, onde conquistou grande sucesso como pregador e onde lhe foi concedido pelo Papa Clemente X um salvo-conduto, ou seja, um documento que lhe permitia deslocar-se sem restrições em determinados territórios e por meio do qual recebeu a absolvição por parte do Papa.

    Em 1675, regressa a Portugal, livre da perseguição inquisitorial. Contudo, perante a indiferença do regente D. Pedro, em 1681 António Vieira muda-se definitivamente para o Brasil, vivendo os últimos anos da sua vida em Salvador, na Baía, onde continuou a lutar pelos direitos dos mais pobres e oprimidos.

    O Padre António Vieira morreu em Salvador no dia 17 de junho de 1697, deixando um legado de luta pelos direitos humanos, pela igualdade e a justiça social. O seu trabalho inspirou defensores destes direitos no Brasil e no mundo.

    Segundo o P.e António Vaz Pinto (in “Padre António Vieira, o imperador da Língua Portuguesa”), “Missionário, pedagogo, diplomata, pregador, escritor, aliou nele uma energia de vida, uma capacidade de compreensão do real, uma capacidade de sonho que fazem dele uma das maiores figuras da História da Literatura Portuguesa e mais concretamente do Barroco”. Por tudo isto, é hoje considerado um dos maiores escritores e oradores da língua portuguesa, tendo sido chamado por Fernando Pessoa de “Imperador da Língua Portuguesa”.

    A sua vida foi dedicada a pregar e destaca-se pelo envolvimento em questões políticas bastante sensíveis na sua época, que enfrentou destemidamente, afirmando as suas convicções independentemente das repercussões que lhe pudessem advir. As questões de âmbito político são também de âmbito religioso.

    Os sermões do Padre António Vieira chegaram até nós, transportando consigo o legado de uma vida de luta pelos injustiçados e a defesa dos direitos humanos.

     

    Proposta de estratégia de ação pedagógica:

    “À volta de Padre António Vieira”

    – Passeio literário: Padre António Vieira – Lisboa

    “Lembrar o Padre António Vieira” – Semana literária

    – Pesquisar a vida e a obra de Padre António Vieira e organizar, num espaço central da escola, uma exposição sobre o autor e o seu contributo na defesa dos direitos humanos

    “Discursos à maneira de Padre António Vieira”

    – Os alunos devem escolher uma situação da atualidade, uma personalidade ou um direito humano e, à semelhança do Padre António Vieira, fazer a sua denúncia, crítica e/ou defesa – discurso argumentativo

    Bibliografia

    Impressa

    BARATA, J. (2016). A Vida e a Obra do Padre António Vieira. Lisboa: Verso da Kapa.

    CARRILHO, F. (2008). Sermão de Santo António aos Peixes. Texto em Análise. Lisboa: Texto Editores.

    VIEIRA, P. A. (2013-2014). Obra Completa do Padre António Vieira. Dir. J. E. Franco & P. Calafate. (30 vols.). Lisboa: Círculo de Leitores.

     

    Digital

    CARVALHO, M. da S. (2023, 6 de fevereiro). “Padre António Vieira: O orador da crítica social”, https://www.comumonline.com/2023/02/perfil-padre-antonio-vieira-o-orador-da-critica-social (acedido a 12.01.2024).

    “Padre António Vieira”, https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$padre-antonio-vieira

    (acedido a 12.01.2024).

    “Padre António Vieira”, https://passeiosliterarios.com/autor/padre-antonio-vieira

    (acedido a 12.01.2024).

    “Padre Antônio Vieira”, https://www.ebiografia.com/antonio_vieira (acedido a 12.01.2024).

    “Padre António Vieira, defensor dos índios e dos escravos negros”, https://ensina.rtp.pt/artigo/padre-antonio-vieira-defensor-dos-indios-e-dos-escravos-negros (acedido a 12.01.2024).

    “Padre António Vieira: Uma lição de liberdade”, https://ensina.rtp.pt/artigo/padre-antonio-vieira-uma-licao-de-liberdade/ (acedido a 12.01.2024).

    “Padre António Vieira, o imperador da Língua Portuguesa”, https://ensina.rtp.pt/artigo/padre-antonio-vieira-o-imperador-da-lingua-portuguesa/ (acedido a 12.01.2024).

    “‘Sermão de S.to António aos Peixes, de padre António Vieira”, https://ensina.rtp.pt/artigo/sermao-de-sto-antonio-aos-peixes-de-pdre-antonio-vieira (acedido a 12.01.2024).

     

    Autores

    Agrupamento de Escolas de Santo António – Barreiro, Turma 11.º B (ano letivo 2022-2023)

    Professora: Inês Mora Matos

    Alunas: Bruna Teodoro, Joana Serafim e Rita Lucas

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